Transtornos alimentares e Obesidade

Consequências dos Transtornos alimentares e Obesidade

Anorexia nervosa e Bulimia nervosa

A bradicardia (freqüência cardíaca menor que 60 batimentos por minuto) está presente na maioria dos pacientes sendo conseqüência da diminuição do metabolismo basal, como adaptação à privação de energia. Muitos pacientes apresentam também hipotensão, com pressão arterial menor que 90 mm Hg/60 mm Hg, provavelmente devido ao estado de depleção de volume. As manifestações clínicas são tonturas, hipotensão ortostática e até síncopes, podendo levar à morte por arritmias cardíacas (descompasso do coração) e parada cardíaca. Outro item que merece atenção entre os sinais vitais é a freqüência respiratória, que pode estar aumentada nos casos de insuficiência cardíaca congestiva e que pode ocorrer, também, nas fases iniciais da realimentação.

Uma sensação de “empachamento” (diminuição da velocidade de esvaziamento gástrico) é referida por vários pacientes após comer. Fraqueza muscular, constipação alternada com diarréia, poliúria e polidipsia podem ser decorrentes da própria desnutrição e, às vezes, associam-se à hipocalemia (diminuição de potássio no sangue), que, nos casos mais graves, pode cursar com arritmias cardíacas.

A desidratação e outros transtornos hidroeletrolíticos e metabólicos agudos são freqüentes nos casos graves, principalmente nas AN do tipo purgativo e nos pacientes bulímicos. Esses estados requerem tratamento hospitalar. Hipofosfatemia também tem sido descrita durante a realimentação desses pacientes.

Outra complicação comum é a osteopenia (diminuição da densidade mineral dos ossos), podendo levar à osteoporose precoce (doença irreversível onde há perda de massa óssea grave), e as manifestações clínicas mais comuns são dores ósseas e fraturas. Edema de orofaringe pode denotar a prática de provocar vômitos, assim como evidências de refluxo gastroesofágico. Pacientes que forçam o vômito, no mínimo três vezes por semana e por longos períodos, costumam apresentar erosão do esmalte dental, com descalcificação das superfícies dos dentes e perda de dentes. Nesses pacientes, pode-se notar ainda hemorragia conjuntival, decorrente do esforço para vomitar.

São comuns em pacientes anoréxicos a queixa de intolerância ao frio (causada por uma diminuição da capacidade de termorregulação e pela má perfusão periférica), cabelos e unhas quebradiços, pele seca e apresentação do lanugo (camada de pelos sobre a pele como proteção ao frio). Consumo elevado de alimentos ricos em vitamina A e caroteno, como cenoura, confere à pele de alguns portadores de AN coloração amarelada. Já se conhecem três casos de catarata associada à anorexia nervosa, conseqüentes da desnutrição prolongada, da diarréia crônica, da anemia e da hipocalemia.

Do ponto de vista cardíaco, verifica-se diminuição de todas as dimensões do coração e do volume sistólico. Mas o período que requer mais atenção para a função cardíaca é o da realimentação de pacientes anoréxicos graves, quando pode ocorrer insuficiência cardíaca congestiva, secundária ao rápido ganho de peso, pois o volume sistólico não acompanha o aumento do volume das câmaras cardíacas.

No caso de pacientes bulímicos a parótida pode estar aumentada (em 8% a 50%) e cerca de 2/3 dos pacientes têm mostrado níveis de amilase sérica elevados. Além disso, pode-se notar calosidades no dorso das mãos dos pacientes que induzem o vômito que são chamadas de sinal de Russell, o médico que as descreveu em 1979.

Obesidade

As consequências da obesidade são variadas e atingem múltiplos sistemas do corpo. Por ser crônica, a doença vai minando vários sistemas do corpo, de acordo com a predisposição genética de cada indivíduo. O mais comum é atingir o aparelho cardiovascular, com sintomas de hipertensão arterial, arteriosclerose, insuficiência cardíaca congestiva e angina de peito. Após essas, as complicações metabólicas requerem muita atenção, pois podem levar à derrames cerebrais e até à morte, como hiperlipidemias (colesterol e triglicerídeos altos), alterações de tolerância à glicose, diabetes tipo 2, gota.

Outro sistema muito afetado é o pulmonar levando à sintomas como: dispneia (dificuldade em respirar) e fadiga, podendo gerar a síndrome de insuficiência respiratória do obeso, apneia de sono (ressonar) e embolismo pulmonar.

No aparelho gastrintestinal pode-se encontrar esteatose hepática, litíase vesicular (formação de areias ou pequenos cálculos na vesícula) e carcinoma do cólon. No sistema genito-urinário e reprodutor são comuns a infertilidade e amenorreia (ausência anormal da menstruação), incontinência urinária de esforço, hiperplasia e carcinoma do endométrio, carcinoma da mama e carcinoma da próstata. Outras alterações como osteartroses, insuficiência venosa crónica, risco anestésico, hérnias e propensão a quedas. Também existem estudos que já relacionam a obesidade à propensão em desenvolver demências.

A obesidade provoca também alterações psicossociais graves devido á discriminação e preconceito que esses indivíduos se deparam durante a vida. Passam então à evitar locais que tenham que expor o corpo e se isolar de eventos sociais. Com isso, sofrem frequentemente de sintomas de ansiedade, depressão e perda de auto-estima.

Simone Silva Freitas
(Psicóloga e Coordenadora do CETTAO - Clínica de Estudos e Tratamento de Transtornos Alimentares e Obesidade - do Serviço de Psiquiatria da SCMRJ - Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro)

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